Não briguem comigo. Sim, vou começar esse texto pisando em ovos. Em 2007 a obra mais importante de Uwe Rosemberg, e provavelmente uma das mais importantes de todos os tempos para os Board Games, veio a público. Agrícola foi uma revolução no jeito de enxergar os jogos de tabuleiro e sua influência sobre dezenas de jogos que vieram após dele é facilmente perceptível.

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(Edição Revisada de Agrícola, lançada no Brasil pela Devir.)

A fazendinha virou visita obrigatória para todo jogador que curte os chamados “euro games”. Contudo, se um jogo teve esse sucesso estrondoso de público e crítica, por que refazê-lo? E ainda, como fica a aceitação do público quando alteramos uma obra tão querida?

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(É bonita a fazendinha, não é?)

Readaptar obras costuma sempre dividir opinião. Planeta dos Macacos, Robocop, Duna (coming soon), adaptações de quadrinhos para o cinema, tudo isso sempre é motivo para muita discussão e também de rejeição. Nos Board Games não foi diferente, mas quero com esse texto mostrar que essa adaptação pode não ser um problema e que você, caro leitor, pode gostar dos dois!

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(Pra que escolher um só?)

Datado de 2013, Caverna foi publicado 6 anos após o seu antecessor para alterar algumas coisas (e matar alguns fãs de raiva) em Agrícola e apresentar uma nova experiência no universo das fazendinhas de Uwe Rosemberg. 

Em Caverna, cada jogador assume o gerenciamento de uma família de anões que precisam dividir sua atenção entre aprimorar as Cavernas onde vivem e o cultivo do campo para seu sustento. As semelhanças com seu antecessor são muitas, o sistema de alocação de trabalhadores e as novas ações que aparecem a cada rodada, o plantio e até os animais são os mesmos com exceção de alguns exclusivos de caverna. É tão parecido que o manual de Caverna vem com textos como “Se você sabe jogar Agrícola, pule este item”.

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(Em Caverna, podemos colocar cachorros pra tomar conta das ovelhas)

Os jogadores se revezam em turnos, cada um aloca um de seus trabalhadores em um espaço de ação e executa o que o espaço indica. Em geral, ações muito simples como receber madeira, pedras, animais etc. Aqui há algumas novidades como a mineração e exploração da Caverna, que aumenta o tamanho da mesma e traz recursos como minério e Rubis (que são uma espécie de coringa no jogo).

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(Minérios e Rubis, a produção é caprichada!)

O minério é usado na fabricação de armas para os anões. Se a plantação e os animais não estão sendo suficiente para o sustento, os anões saem armados para conquistar na base do tapa os recursos necessários para sobreviver.

A gestão dos recursos ao contrário do seu antecessor é mais branda, e talvez essa seja a principal crítica ao jogo. Caverna dá tanta liberdade ao jogador que acaba tornando mais fácil o gameplay, por exemplo, na questão da alimentação que no Agrícola é uma grande pedra no sapato.

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(Caverna tem os Jumentos, que podemos guardar nas minas)

Outra diferença muito importante em relação ao seu antecessor é a ausência das cartas. Agrícola tinha em suas cartas a maior fonte de rejogabilidade (e também de críticas). Em Caverna não há cartas, elas foram “substituídas” pelo tiles de aprimoramento das cavernas. Todas essas melhorias ficam disponíveis para todos os jogadores desde o início do jogo em uma espécie de mercado, tornando o Caverna um jogo em que todas as informações são públicas. E é aqui que começa a confusão.

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(As salas que podemos comprar para melhorar as cavernas.)

Para muitos, o fato de ser muito apertado e a quantidade massiva de cartas do Agrícola eram o grande diferencial do jogo e tudo isso simplesmente não existe em Caverna. Em contrapartida, Caverna é um jogo que pode ser levado com muito mais leveza e dá, pelo menos ao meu ver, uma sensação de que as coisas estão progredindo sempre, mesmo que não o suficiente para a vitória. É como se a sensação fosse de que “Olha, estou melhorando!” enquanto que em Agrícola ela é mais “Socorro, que diabos eu estou fazendo?”. 

Dito tudo isso é importante dizer que “Socorro, que diabos eu estou fazendo?” também é uma sensação muito boa no mundo dos board games! Sobretudo para quem curte a sensação boa que o desafio trás. Agrícola é e sempre será um jogo fantástico, certamente entre os meus 15 jogos favoritos de todos os tempos. 

Acontece que nem todo mundo curte a sensação de estar se dando mal, e Caverna é mais “feels good” nesse sentido. Nem de longe é um jogo fácil, um jogador experiente ainda tem muita chance de massacrar o novato, mas,  ao meu ver Caverna é mais o tipo de jogo que te incentiva a continuar em vez de apontar o dedo na sua cara. Fazendo um Crossover aqui com Vital Lacerda, Agrícola seria a Sandra brava e Caverna é a Sandra boazinha

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(E tem expansão top!)

Concluindo minha defesa do Caverna preciso citar sua ótima expansão The Forgotten Folk. Na caixa somos apresentados às 8 facções que dão poderes variáveis aos jogadores. Cada um deles tem fraquezas e virtudes únicas dando um boost no sensacional no jogo base. Além das facções novos vegetais (cogumelos e GemFruit)  e novas melhorias das Cavernas também são adicionados ao jogo.

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(As GemFruit e os cogumelos, uma pena que não são de madeira.)

As novas melhorias entram ou não na partida baseadas em quais facções estão em jogo, dando também uma espécie de setup mais variável. Se você ainda não conhece, vale muito a pena experimentar, é com certeza uma das melhores expansões que já joguei.

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(As 8 facções da expansão)

Por fim, Agrícola ou Caverna,  não importa. O importante é tirar da estante e levar para a mesa.

E você, vai de Agrícola ou Caverna? Conta ai pra gente!

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